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Entrevista traduzida: Katy para a W magazine

Em 22 de Maio, no meio do ensaio fotográfico de Katy Perry para a W, a BBC reportou que 22 pessoas tinham sido mortas e 59 seriamente feridas quando uma bomba explodiu no show de Manchester, Inglaterra, da cantora Ariana Grande. Perry recebeu essa notícia devastadora quando estava no meio de uma troca de roupas. Ela mostrou seu celular a sua produtora, seu casaco cor de rosa da Gucci estava desabotoado e pendurado em seu corpo.

“Você viu isso?” Perry perguntou. Ela estava atordoada. “Os fãs da Ari são meus fãs. Isso é horrível e muito assustador.” Perry é profissional. Ela terminou as fotos, mas a notícia continuou a assombra-la.

Em 7 de setembro ela começa sua turnê do novo álbum, Witness, o qual escreveu no espírito de revelação pessoal e autenticidade. Nascida a 32 anos atrás como Katheryn Hudson, Perry se reinventou em 2008 como uma sexy – um tanto engraçada – pop star com hits sobre luxúria adolescente e verões divertidos. Nas performances, ela era conhecida por usar um sutiã que espirrava chantilly dos mamilos; na vida real, ela namorou uma séries de homens de alto escalão, incluindo Russell Brand (com que se casou em 2010 e divorciou menos de 2 anos depois), John Mayer, e, mais recentemente, Orlando Bloom.
Se o mundo pop é como o ensino médio, então Perry era a líder de torcida travessa que se tornou rainha do baile de primavera e depois… Depois virou punk.

Fiel à forma, Perry cortou e clareou seus cabelos – E parece muito mais feliz desde que o fez. “Eu devo ter liberado alguns chakras novos” ela me disse assim que chegou no estúdio fotográfico com Nugget – sua poodle pequenininha e cor de chocolate – em seus braços. Ela estava vestida com uma calça de moletom cor-de-rosa e uma jaqueta da mesma cor; seu cabelo curto realçou seus enormes e redondos olhos azuis e tirou a importância de suas curvas femininas.

Seu novo – um tanto andrógino – look, parece combinar com seu recente humor: “Eu me sinto muito livre” ela disse. (De todas as citações que a W ofereceu a Perry para seu discurso de realidade aumentada na capa, ela imediatamente gravitou em direção a uma declaração de liberdade de Albert Camus-esque). Essa ‘troca de pele’ pode também ser uma reação a perda de Hillary Clinton nas eleições presidenciais. Perry fez muita campanha para Clinton e se frustrou com sua derrota e com o que isso significou para mulheres poderosas em geral. Usava alfinetes de ouro em seus brincos, como símbolo da continuação de seu apoio à Clinton, e deu o nome da candidata democrata a um salto de camurça em sua linha de sapatos. (Quando a imagem de H.R.C usando os sapatos apareceu no Instagram, eles venderam todos no mesmo instante.)

“Eu não estou mais chateada com as eleições” Perry me disse. “Eu acho que é mais importante continuar a luta.”

Perry enxerga sua participação como jurada no American Idol que começa no outono, como uma declaração femitista. ABC pagará em torno de $25 milhões de dólares pela sua participação.

Katy até brincou em uma entrevista dizendo: “Estou sendo paga muito mais do que qualquer homem que ja participou como jurado no programa!”

Um dos interesses de Katy no American Idol é sua capacidade em atingir os adolescentes, um grupo que ela acha muito inspirador. “Meninas adolescentes podem salvar o mundo!”

“Vi isso na campanha e a ideia continua me dando esperanças”

Lynn Hirschberg: Como você compõe? Foi diferente compor músicas no Witness?

Katy Perry: No passado eu usava um gravador de fitas cassete, agora uso meu celular. Minha sessão de notas é cheia de ideias malucas. Mas eu também tenho um velho e bom caderno de anotações, cheio de rascunhos de músicas.

LH: Voce canta suas próprias musicas no chuveiro?

KP: Não. Eu invento musicas. Ou eu canto tipo “I like to move it move it.” Já fiz isso várias vezes com namorados. Isso é muito divertido – cantando no banho e ensaboando!”

LH: A vida é mais divertida com cabelo curto?

KP: Tudo é mais divertido com cabelo curto! Eu posso simplesmente me levantar e sair! Me sinto livre com esse cabelo agora. No geral me sinto 360 graus livre! Politimacente, mentalmente, espiritualmente e sexualmente. Me sinto livre de todas as coisas que não me servem. Estou me entregando e abraçando meus 30 anos. Você não poderia me dar nada que me fizesse querer voltar aos meus 20 e poucos anos. Para chegar aqui, tive que trabalhar muito meu coração, espirito, mente e corpo. Desde quando comecei a fazer isso, coisas belas comecaram a aflorar novamente.

LH: Agora que você mencionou seus 30 anos, qual foi o seu aniversário favorito?

KP: Eu sou uma menina muito festeira! Uso esse dia de aniversário como uma grande desculpa para fazer uma mega festa. Para o meu aniversário de 32 anos, tivemos uma festa temática dos anos 1950, em um salão de Hollywood. Foi na noite anterior ao Dia das Bruxas, que é perto da data do meu aniversário mesmo, e todos ainda estão tristes que a festa acabou. Ouvi dizer que foi uma das melhores noites de suas vidas.

LH: Existe uma música que faz você chorar?

KP: Muitas. Eu sempre quero ser levada às lágrimas. Assisti recentemente ao “Dear Evan Hansen” na Broadway e foi uma bagunça depois. O ator [Ben Platt] foi a um ponto em que se é tão vulnerável que foi quase assustador. Todos nós fingimos tanto. Todos nós mostramos uma vida que não é real. Eu também sou culpada nisso. Mas quando você derruba tudo, é realmente poderoso. E esse show faz exatamente isso. Vá vê-lo!

LH: Você já chorou com suas próprias músicas?

KP: Já. Minhas músicas são tão pessoais. Às vezes, elas são sobre pessoas que não estão mais na minha vida, ou sobre um amor não correspondido. Na minha última turnê não consegui cantar algumas músicas do álbum, pois me deixavam muito triste.

LH: Você fica feliz quando está em turnê?

KP: Sinto-me muito sobrecarregada e amada quando estou em turnê. As pessoas gastam tempo, energia e dinheiro para me ver. Essa conexão é tão linda. É tão incrível ver todos se deixarem levar e cantar uma das minhas músicas a plenos pulmões – eles se permitem isso por um segundo. Isso é uma coisa corajosa: simplesmente não nos deixamos levar mais.

LH: Me surpreende ninguém ter posto isso em um filme. Você deve ter sido abordada.

KP: Eu fui, mas não parecia certo. Eu realmente adoro ser a capitã do meu navio. Se eu fizesse um filme, provavelmente teria que dirigí-lo. Eu adoraria fazer um musical! Mas isso virá com o tempo.

LH: Onde foi seu primeiro beijo?

KP: Meu primeiro beijo de língua foi na sexta série, em Big Bear, Califórnia. Eu estava andando com uma garota da igreja que tinha certa reputação. Ela deu uma festa, e eu não tinha permissão para ir a festas até a oitava série, mas eu fui mesmo assim. Na festa, brincamos de girar a garrafa. Chegou a minha vez, girei a garrafa e, de repente, senti como se houvesse um peixe molhado na minha boca. Esse foi o meu primeiro beijo. Quando você está na sexta série, não há arte no beijo. Não há ritmo, nem movimentos para cima e para baixo, sem ondas. Em vez disso, só parece que sua boca está sendo invadida por uma lesma.

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