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Entrevista traduzida: Katy para a revista Glamour

Katy Perry: ‘Eu não quero mais me agarrar a traumas da infância’.

Ela está em uma turnê mundial e guiando cantores esperançosos para a fama como jurada no novo American Idol. Mas o projeto mais ambicioso de Katy Perry? Desmontando Katy Perry.

Alguns anos atrás eu levei minha mãe para ver um show da Katy Perry. Ela estava maravilhada com o som, a produção e as fantasias, mas ela estava particularmente hipnotizada pela própria Katy. Após o show, minha mãe me perguntou “Como é ser amiga dela?” E eu nunca havia pensado sobre isso. Em um sentido, a Katy que eu conheço desde 2011 não é diferente do ícone pop que vocês veem no palco. Katy é insanamente divertida, 100% honesta, escandalosamente criativa e um pouco arteira (a mulher ama uma piada prática e uma pegadinha de presente). Mas conhece-la intimamente é também conhecer o lado mais quieto dela. É conhecer sua intuição mística (é quase chato – Katy pode te abraçar e saber instantaneamente que você está passando por algo). E é conhecer Katy Hudson, a garota de Santa Bárbara, onde sua ideia de noite perfeita é vestir uma roupa de ginástica, pegar sua cadelinha, Nugget e se aconchegar no sofá com suas amigas para falar sobre tudo e nada.

Há muitas coisas para se admirar sobre Katy Perry. Ela é a primeira artista feminina a ter 5 músicas número 1 no Billboard Hot 100 de apenas um álbum. Ela é a pessoa mais seguida no Twitter em todo mundo. E nos últimos 10 anos, ela vendeu mais de 40 milhões de albums. (Ela também é uma impetuosa advogada para a geração mais jovem: 1 dólar de cada ingresso vendido em sua turnê vai para o Boys & Girls Clubs of America.), mas o que eu mais admiro em Katy é sua bravura. Ela não tem medo de estar errada. De fato, ela sempre diz que é de vital importância para ela falar sobre seus erros, para que as pessoas possam aprender com eles também.

Katy possui mais que sua carreira – ela tem uma vida. Ela é real. Eu frequentemente penso que a razão para ela ser tão conectada com sua fã base, os Katycats, é porque ela é verdadeiramente um deles. Ela talvez pareça uma super Deusa enquanto dá giros pelo palco ou distribui críticas em um look feroz no American Idol, que estréia na ABC esse mês, mas ela também é uma mulher de 33 anos com medos para conquistar, sonhos para alcançar e alguns aspectos de si mesma, ela ainda está tentando desvendar. Como todos nós, ela é uma obra em progresso. Enquanto assisti minha amiga de alma deixar seus vinte anos para trás, eu a vi fazer pequenos, mas integrais turnos, aprender difíceis lições e usar suas experiências para evoluir como uma artista, uma mulher e uma cidadã. Essa é a Katy Perry que eu quero que vocês conheçam.

Cleo Wade: Você recentemente escreveu no Instagram que 2017 “redefiniu o que vencer significa para mim. E a definição de vencer para mim esse ano foi simplesmente felicidade e gratidão.” Como você chegou a esse momento?

Katy Perry: Essa é uma ótima pergunta. Eu te amo demais por pergunta-la. [Risos.] Eu aprendi, após 10 anos de sucesso sob os holofotes, que ser feliz é algo que você deve trabalhar por todos os dias. Até mesmo se você possui dinheiro, ou casas, ou status, ou fama – e tudo isso é ótimo por um momento – mas se você não possuir a felicidade liderando o caminho, você vai descarrilhar. Grande parte dos meus vinte anos foram intensos, extremos e de algum modo, inconsciente. Foi completamente centrado na carreira, o que era ótimo, mas assim que você “toca o teto” tantas vezes, é como “Oh sim, eu fiz isso. Eu toquei o teto.” Agora eu quero tocar as estrelas e isso tem a ver com o coração.

Cleo: Que conselho você daria para essa Katy intensa, extrema e de algum modo inconsciente, de vinte e poucos anos?

Katy: Eu diria “Você está indo bem, querida. ” [Risos.] Não, ummm, provavelmente seriam algumas coisas. Pertencendo a relacionamentos, eu diria a mim mesma, “Realmente e verdadeiramente existem muitos peixes no mar. Existem também baleias. Alguns tubarões. Existem alguns baiacus. E algumas lulas. E você vai querer terminar com o “peixe do abraço.” [Risos. ] Estou apenas brincando. Mas eu também diria [algo bem parecido com a famosa frase de Maya Angelou]. “As pessoas talvez não se lembrem de tudo ao te conhecer, mas eles sempre lembrarão a maneira como as fez sentir.” Quando eu estava chegando a Hollywood e conhecendo meus heróis como Gwen Stefani e alguns outros, ela foi incrível – ela se apresentou e perguntou meu nome – mas outro apenas me afastou. Eu nunca vou me esquecer de como você me fez sentir.

Cleo: Quero mudar para o que está acontecendo em sua indústria, porque sinto que tudo está mudando tão rapidamente. Quais são as áreas do negócio musical que você está animada para ver a mudança, e quais são as partes que você está triste em ver desaparecendo?

Katy: Não acho que haja uma mudança social radical na música, como ocorreu na televisão e no cinema, embora eu tenha certeza de que vai “sangrar” em breve. Eu diria que estou feliz que não haja tantos “porteiros” – pessoas que tenham as chaves para o sucesso de outras pessoas ou se interponham em seu caminho.

Cleo: As coisas parecem mais democráticas agora?

Katy: Sim, e eu realmente gosto disso. O que sinto falta é parte da estrutura. Porque com a abertura da barragem, perdemos um pouco disso. Há tanta escolha quanto o que está sendo colocado aí fora. O mercado está lotado. Hoje em dia, você não consegue mais conhecer uma música. Está sempre no próximo.

Cleo: Essa mudança afeta sua maneira de abordagem em seu emprego no American Idol?

Katy: Quando American Idol nasceu, foi uma das únicas formas de se atirar para o estrelato ou obter a sua música lá fora. Agora você pode fazer isso por conta própria, mas há tantas opções lá fora que você precisa de uma plataforma ainda maior – você precisa da Internet e além – para cortar e fazer uma impressão real. Eu acho que o American Idol está finalmente chegando a um círculo completo: acho que será mais uma vez uma incrível plataforma de lançamento para quem ganhar.

Cleo: Eu costumo dizer que você é a pessoa mais honesta que conheço. Como você está julgando os jovens talentos no Idol, é difícil equilibrar essa honestidade, segurando os sonhos de alguém na sua mão?

Katy: Não é fácil para mim. Eu estava dizendo outro dia que Simon Cowell era meu jurado preferido porque ele é muito direto. A maioria das pessoas que estão em casa assistindo American Idol – você sabe, comendo e falando sobre suas vidas – também estão pensando “essa pessoa pode cantar” ou “essa pessoa não pode”. E Simon era esse tipo de jurado. Simon pode ser malvado, porque ele é um executivo e um homem. Mas se você inverte o papel, de repente você é uma cadela. Então sou cautelosa. As pessoas também entram e contam suas histórias. E antes mesmo de cantarem uma nota, eles dirão algo como: “Eu sou sem-teto”, e isso afetará a maneira como você os olha. Mas se eles realmente não conseguem cantar, a história pessoal deve ficar em segundo lugar. Espero que não seja transformada na “cadela” por causa disso, mas também sei que a indústria da música não precisa de apenas um outro cantor.

Cleo: Do que a indústria da música precisa?

Katy: Eu acho que precisamos de alguém que tenha uma voz que você consiga sentir. Para mim, quando alguém canta e todos os pelos do meu braço se arrepiam, eu estou imediatamente envolvida.

Cleo: No momento em que este artigo sair, você terá completado mais de 50 shows ao longo de cinco meses. Como alguém que viu você se apresentar em várias ocasiões, eu sei o quão intenso é para você. Como você se prepara mentalmente, fisicamente e espiritualmente para estar na estrada?

Katy: Bem, eu adoro a rotina. Eu me sinto muito fora de controle sem rotina, e o diabo é meio do meu campo de jogos quando não a tenho. Todos os dias é apenas uma preparação para o show. O sono é realmente importante para mim. Eu sou uma grande dorminhoca. Durmo de oito a nove horas todas as noites. De nove a 10 horas, na verdade. Eu como cerca de quatro refeições – ou quatro refeições e meia – por dia. Estou constantemente comendo. Felizmente, eu tenho esse chefe realmente incrível que faz uma dieta sem açúcar e sem laticínios para mim, e eu me apego a isso muito bem. Talvez uma vez por semana eu traio a dieta. Quando eu acordo, vou direto para a ioga por uma hora, e geralmente faço 30 minutos na bicicleta elíptica para que o sangue flua. Vou tentar colocar uma meditação por volta das 4:30 ou 5:00 da tarde. A meditação transcendental foi uma grande mudança para mim. Estamos todos tão “conectados” aos nossos dispositivos, o que, penso eu, está nos desconectando da realidade.

Cleo: Muito URL e pouca vida real.

Katy: Exatamente! Então, você sabe, a minha resolução de Ano Novo foi desligar o telefone um dia por semana. É realmente sobre descansar, comer e exercitar. Nos meus vinte anos, eu costumava fazer shows pendurados depois de comer um hambúrguer In-N-Out. Não posso mais fazer isso.

Cleo: Eu me tornei amiga de alguns Katycats ao longo dos anos, então perguntei a um, @kayleighcat, se ela pudesse lhe perguntar uma coisa, qual seria? Sua pergunta: “Katy, quando você duvidou de si mesma ou sentiu vontade de desistir, qual pensamento a manteve seguindo?

Katy: Eu tive muitos desses pensamentos, e escrevi muitas músicas por causa dos mesmos. Eu diria que todas as minhas melhores músicas, ou o que penso serem algumas de minhas melhores músicas – “By the Grace of God”, “Roar”, “Firework” – são praticamente conversas motivacionais que tive comigo. Eles são minha alma me dizendo: “Vamos. Nós podemos fazer isso. Um pé na frente do outro.” Eu também tiro um tempo para me conectar com as pessoas que ouvem minha música. Eu leio suas cartas ou vou encontrar alguém que vai dizer algo como: “Eu parei de me cortar há dois anos por causa desta música”, e eu pensarei algo como “oh, certo! É por isso que escrevi essa música. Eu escrevi essa música para que isso pudesse trazer um pouco de alegria para a vida das pessoas”.

Cleo: Tão bonito. Eu pessoalmente defino “viver corajosamente” como tendo medo, mas fazendo de qualquer maneira. Quando foi a última vez que você teve muito medo de fazer alguma coisa, mas mesmo assim fez?

Katy: Quero dizer, acho que eu faço isso o tempo todo. Estou me preparando para fazer uma grande inspeção da alma logo sobre a qual estou nervosa. Quero me elevar emocionalmente. Eu não quero mais me agarrar a traumas da infância. Eu quero crescer para me tornar uma adulta. Estou me preparando para ter uma família própria algum dia. E essa é a coisa: eu quero fazer uma pequena cirurgia na alma antes de ter minha família, para que eu não transfira nenhum desses sentimentos persistentes. Estou prestes a pegar pesado nesse processo emocional, e estou nervosa, mas não acho que tenha outra escolha. Este último ano tem sido sobre matar meu ego, o que foi realmente necessário para minha carreira. Mas para a minha vida pessoal, não funciona dessa maneira. Se eu quiser ter esse verdadeiro equilíbrio, eu tenho que ser Katheryn Hudson.

Cleo: Que partes dessa jornada te surpreendeu?

Katy: Você sabe, eu tive muitas expectativas no final de 2015 e de 2016 que não foram encontrados. Essa foi a primeira vez, em um longo tempo, que eu não consegui as coisas do meu jeito. Acho que foi uma maneira do universo para me testar, dizendo “Veremos se você realmente se ama”. Aquilo foi desafiador para mim, porque eu não percebi no quanto eu me apoiava na validação dos outros. Eu pensava que não, mas mais uma vez você é “empurrado um pouco para baixo da montanha”, para que possa perceber como o tempo no topo é melhor. Foi realmente necessário para mim, passar por isso. [E eu aprendi isso] as pessoas não se relacionam com quem é perfeito ou está sempre ganhando. Você nem sempre pode estar sentado empoleirado no topo da montanha.

 

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