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Um ano depois, o ‘Witness’ transcende a conexão perdida com o mainstream

Um ano se passou desde que Katy lançou sua obra polarizadora de “pop com propósito”. Embora “Witness” tenha perdido o mainstream, é uma obra-prima incompreendida preparada para o impacto tardio.

“Se eu perdesse tudo hoje, você ficaria?”

Essa pergunta ousada abre a faixa-título do quarto álbum de estúdio de Katy Perry, Witness, lançado há um ano em 9 de junho de 2017. Essas palavras têm um novo significado agora. Um ano distante das expectativas, o Witness supera a decepção comercial e crítica que (infelizmente) se sobressaíram ao seu mérito.

Enquanto lançava o primeiro single, “Chained to the Rhythm”, no Grammy Awards de 2017, Perry ofereceu uma dica sobre o então sem nome, chamando-o de “pop com propósito”. Diante do tema de CTTR, as pessoas confundiram e acharam que Katy havia trocado os duplos sentidos e trocadilhos por lances políticos. Lembrem-se, propósito e político não são a mesma palavra.

Não é sempre que vemos alguém se apresentar no Grammy com uma braçadeira escrita “persist” e projeções da Declaração de Independência. A partir daquele momento tivemos certeza de uma coisa: Katy Perry não é de fazer a mesma coisa duas vezes, seja no palco ou na música. Ao mesmo tempo pairou-se certa apreensão, pois muitos achavam que seria incaracterístico e injustificado para ela lançar 15 músicas pop abordando a situação social atual.

Para seu primeiro lançamento depois de um longo período eleitoral, Perry saiu de sua zona de conforto e evoluiu em direção a composições menos preparadas para as rádios (o que ficou aparente). Ainda assim, mesmo com as diferentes sensibilidades musicais espalhadas pelo álbum, o Witness vem como um álbum conceitual coeso em vez de uma coleção e singles em potencial. Dessa forma, o Teenage Dream, responsável por definir a carreira de Katy e que o público enxerga como seu padrão de ouro, é a Quinn para sua Daria.

Se você sintetizar as palavras e os temas do Witness, você percebe o que ela realmente quis dizer com “pop com propósito”. Pareceu ser a primeira vez em que ela mostrou seu coração por inteiro em um álbum e em canções sobre liberação pessoal. Ela teve seu coração partido, ela cresceu um pouco, e ela amadureceu seu ponto de vista artístico, político e social.

“Hey Hey Hey” e “Power” mantém a característica de músicas feitas para aqueles que subestimam mulheres. “Bon Appétit” e “Tsunami” mostram uma libertação sexual em que Perry está no controle de sua sexualidade, em vez de jogar sob o olhar masculino. “Bigger Than Me” e “Mind Maze” rastreiam as acrobacias mentais em que se engaja durante um período de crescimento. “Miss You More” nos oferece a melhor balada no quesito vocais. Katy começa o álbum em busca dessa coisa indescritível chamada intimidade, e ela se encontra no final do álbum com “Into Me You See”.

Muitas críticas ao Witness foram rápidas demais e tentaram culpar letras que Katy nos entregou. É verdade que ela canta frases como “L-o-l at all your limits” e “You’re ‘bout as cute as an old coupon expired”. Mas como disse Kacey Musgraves, o inteligente jogo de palavras sempre foi o que tornou sua música única.

Essas músicas eram intencionais para ela, que esperava dar um significado próprio para ouvintes além dos fãs. Mas o público mainstream não se conectou com o álbum, propagando a crença incorreta de que era de alguma forma abaixo da média. O fracasso em causar um impacto instantâneo (apesar do #1 na Billboard 200, e outros números consideráveis) foi infundado. Esse foi o peso das músicas com propósito.

O álbum foi lançado em meio a um caminho espinhoso que Katy estava tendo em relação a mídia e ao público. Suas piadas não eram tão contagiosas como costumavam ser. Suas letras não são tão memoráveis. Seu cabelo era muito curto, muito loiro, muito Miley. Como ousa não continuar fazendo “Teenage Dream” pelo resto de sua carreira!? Como ela se atreve a empurrar os limites de seu som e perspectiva!? Houve uma crítica para tudo.

Vocês podem dizer que ela deveria ter começado a era com “Hey Hey Hey”, “Witness”, ou “Act My Age”. Vocês podem dizer que ela deveria ter divulgado “Roulette”, favorita da maioria dos fãs. Vocês podem dizer que ela não deveria ter feito isso ou deveria ter feito aquilo. Mas ninguém conseguiria mudar aquilo que o mundo não estava recebendo, não havia conserto mágico que pudesse ser tirado do chapéu para melhorar as coisas.

Katy Perry tinha algo a dizer, e poucas pessoas ouviram o suficiente para receber a mensagem. Ironicamente, a mensagem era de conexão: ser ouvido, ouvir os outros e a intimidade do entendimento. Ela mostrou isso claramente nos levando para sua casa com a Witness World Wide, a transmissão ao vivo de quatro dias no YouTube em que vimos a cantora meditando, chorando na terapia e organizando jantares baseados em conhecimento com celebridades e ativistas.

Mais uma vez, a Witness World Wide recebeu críticas mistas. Alguns comentaram que a personalidade de Katy saiu como ousada quando ela falou com sua equipe (as pessoas que ela mais se sente confortável), o que só prova o ponto que ela procurou fazer. Não importa o quão transparente ela seja, ela sempre estará sujeita a críticas. Ao derrubar o conceito de celebridade com acessibilidade 24 horas por dia, ela ressaltou a falha fatal na cultura que insiste em simplesmente derrubar as pessoas na internet.

Durante as extensas horas da Witness World Wide, ela ouviu e aprendeu. Ela fez perguntas. Ela emanou sua luz nos outros. Isso trouxe toda a ideia do álbum completo: respirar para estar no momento e abrir os olhos para as coisas que perdemos de vista na confusão da humanidade agitada. Não tinha nada a ver com o corte de cabelo dela ou com o quão desconexo ela se sentia jogando entre Katy Perry e Katheryn Hudson. Se você estivesse realmente prestando atenção, você poderia ver que o que ela estava fazendo não era apenas sobre ela.

Às vezes, os corpos mais fortes de trabalho, das maiores vozes e dos mais confiáveis ​​gráficos, perdem aprovação pública. Em 1992, Madonna experimentou repercussão sexual para o ‘Erotica’, e o Bionic de Christina Aguilera continua “à frente de seu tempo” como o artista afirma ser. Há exemplos ilimitados de músicos que se recusam a se dobrar para se adequar às tendências e se aventurar em território subestimado. O Witness se Katy Perry se junta a outros álbuns pop cujo poder só será apreciado a com o tempo.

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Em retrospectiva, o álbum alcançou o objetivo de deixar Katy Perry livre de precisar viver de acordo com sua série de sucessos e recordes. Ela ainda está buscando o equilíbrio saudável entre ser levada a sério como artista e produzir as músicas divertidas que fizeram seu nome, mas o Witness, no fim das contas, ajudou a preencher essa lacuna ao se aproximar dessa linha. Não importa qual direção ela tomar com seu próximo álbum, será sem dúvida outra visão a ser presenciada.

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