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Entrevista traduzida: Katy Perry para Vogue Índia

Com um novo amor e uma perspectiva nova, a provocadora pop Katy Perry está pronta para revelar seu verdadeiro eu para o mundo.

Por: Megha Mahindru

Atualizada em 06/01 com trechos disponibilizados na revista. Colocamos os trechos novos em negrito.

Katy Perry encontrou a cura para o jet lag. Nos quatro dias de viagem para sua apresentação no OnePlus Music Festival em Mumbai, a cantora e compositora distribuiu tickets para meet and greet com os fãs, mergulhou em Bollywood, concedeu entrevistas a jornais, canais de televisão e rádio, e teve uma reunião com os representantes de sua gravadora – tudo isso com olhos vermelhos por causa do voo. De nossas 12 longas horas de photoshoot que começou com o nascer do dia, ela foi direto para um evento de caridade em comemoração os 71 anos do príncipe Charles. “Meditação transcendental” foi o segredo compartilhado por ela. “Existem formas diferentes de meditação que tenho feito, mas nada substitui a meditação transcendental. Mudou a minha vida.”

Em 1967 quando os Beatles conheceram Maharishi Mahesh Yogi, foi aberta a obsessão do ocidente pelo funcionamento da mente. Agora, o mantra de David Lynch trouxe de volta a prática hindu para profissionais modernos estressados e está acalmando os ricos e famosos em todo o mundo. “Eu deveria fazer isso pelo menos duas vezes por dia, mas só faço uma. É tudo sobre abrir o seu terceiro olho, sua glândula pineal, e se conectar com o divino. Isso me ajuda com o jet lag, ansiedade, mudanças de humor e criatividade. Algumas das ideias mais legais que tive foram durante meditação.”

Poucos acreditam que as confecções disco-pop de 2017, como Swish Swish, ou sua insinuação sexy Bon Appétit vieram de um despertar espiritual. Mas vamos para sua discografia de 2019 e seu senso de maturidade prévio. Ela caminhou através de uma gama de emoções – da obsessão (365), para o coração partido (Never Really Over), para o pós término (Small Talk) para um amor fresco (Harleys In Hawaii) – ela foi de uma mulher biônica para um garota motoqueira.

Segunda Vida

Não é certo dizer que a Katy Perry 2.0 é menos divertida. Ela provavelmente não vai estar mais jogando chantili do seu sutiã, mas ela está confortável em se transformar de candelabro a hamburguer no Met Gala. Em outros dias, ela invade banheiros públicos com sua banda para sua série #PottyJams. Em casa, ela é uma dedicada madrastra que encontrou o equilíbrio entre a realidade e a fantasia que atravessa sua vida pessoal e trabalho. “Nós fazemos um monte de coisas com o Flynn [Filho de Orlando que tem 8 anos]. Vamos em cinemas, parques de diversão… Estamos constantemente fazendo coisas divertidas.”, diz ela sobre essa transformação.

No Botticiano, restaurante italiano que estamos jantando, Perry continua sua filosofia sobre vida e amor: “Eu tenho feito bastante trabalho mental, espiritual e emocional nos últimos anos. A maior mentira que que já disseram a artistas e que nós precisamos sentir dor para criar. Eu não quero estar em dor emocional o tempo todo para escrever músicas,” ela me diz enquanto come uma fatia pão com queijo.

É bem verdade que a imagem chiclete de Perry não mostra sofrimento como artista. “Eu gosto de escrever músicas que empoderem as pessoas. Se eu fosse dividir minhas músicas, seria 50% sobre empoderamento, 25% sobre festas e 25% românticas. Elas são carregadas de de esperança e positividade e sobre como ir em direção à luz. Eu rejeito a escuridão.”

Passe 5 minutos com ela e você vai sentir sua positividade contagiante tomar conta. Ela demonstra curiosidade sobre mim sendo uma entrevistada cativante – me diz “Quero saber tudo sobre você”, ela diz: “‘Anuugacchati Pravaha’, estou pronunciando correto?” ela pergunta sobre sua tatuagem. Quando nos servem nosso peixe ela diz “Oi Roberto, como está se sentindo?”.

As crianças estão bem

Qualquer pai ou mãe sabe que lidar com um grupo de crianças – especialmente aquelas crianças fantasiadas de cupcake e batatas fritas no calor sufocante de Mumbai – é assustador. Naturalmente, depois que as fotos estão prontas, as crianças ficam inquietas. Conte com Katy Perry, e as crianças estão bem. Ela os abraça, pergunta seus nomes, suas matérias favoritas na escola e até se junta com seus amigos liliputianos para cantar “Roar” de maneira improvisada. “Façam um círculo assim”, diz ela imitando o barulho de trem enquanto se encarrega do seu pequeno exército. “As pessoas estavam falando com eles como se fossem adultos e eu pensei: ‘não, isso nunca vai funcionar'”, compartilha Perry quando pergunto a ela sobre seu talento com crianças. “Eu tive uma abordagem infantil durante toda a minha vida – na minha carreira e na minha música – e esse elemento de diversão é o que me mantém jovem.” No DY Patil Stadium, a plateia durante seu set de duas horas não se trata somente de meninas com seus namorados, mas também filhos acenando em cima dos ombros dos pais.

Capturar a geração Z, que notoriamente nasceram em meio a tecnologia, requer habilidade. “Eu acho que tenho um coração jovem e eles enxergam isso. Autenticidade é para mim e para os jovens – para geração Z mais que ninguém – não gostamos de fraudes.” Então no meio do show ela admite que está “suando em cada parte” e os fãs amam. No meio de uma troca de roupa, sua banda começa a tocar Part Of Me sem ela, Perry volta ao palco e seu traje verde neon e tênis para ser totalmente honesta com o público: “Tenho que falar a verdade pra vocês pessoal. Eu tentei trocar de roupa e eu estava suando tanto que minha roupa se partiu no meio.” E não há mentira na conversa dela – ela é a celebridade que mais soa como um humano e não um robô bem programado.

A disposição que Perry tem para mostrar isso (ela já fez uma transmissão ao vivo de 72 horas no YouTube, incluindo uma debilitada sessão de terapia) fez com ela ganhasse seus mais de 108 milhões de leais seguidores no Twitter (perdendo apenas para Barack Obama) e a ajudou na transição de sua Betty Boop/Barbie para encontrar uma imagem e força musical que é capaz de capturar um estádio inteiro.

Escolha Perfeita

Mas na jornada ela tem compartilhado os altos e baixos “Eu tenho ido a terapia, participei do Processo Hoffman, usado plantas medicinais… e eu tenho um parceiro que também está buscando equilíbrio – Orlando, que também está em sua jornada espiritual. Ele é uma âncora que me segura, e ele é muito real. Ele não é o fã número um de Katy Perry mas é o fã número um de Katheryn Hudson.”

Durante alguns dias, percebo que essa artista de olhos arregalados, e que mastiga chicletes, pisca bastante (durante as entrevistas) . O gesto ocular afirma que ela e você (entrevistador) estão contando uma piada. Uma reportagem de tabloides mencionou Bloom lembrando que esse tremor ocular em particular foi o que uniu os dois em 2016 na after party do Globo de Ouro.

O casal compartilha muitas coisas em comum. Artistas vivendo aos olhos do público, os dois passaram por experiências de divórcios, e essa evolução só tem alinhado eles ainda mais. “Amar é diferente de namorar. Você namora quando tem 20 anos. Amor é parceria, amizade, verdade e ser absolutamente o espelho de alguém,” diz ela mexendo no seu anel de noivado em formato de flor. “Orlando é como um sábio. Quando saímos pela primeira vez, ele disse que poderíamos colocar pra fora os próprios venenos e realmente fizemos isso. É exaustivo. Mas nós realmente seguramos a “barra” um do outro. Eu nunca tive um parceiro que estivesse disposto a entrar numa jornada emocional e espiritual como Orlando. É desafiador porque você começa a enfrentar todas as coisas que não gosta em si mesmo. É como uma faxina eterna.”

Como artistas eles viajam pelo mundo inteiro, geralmente separados. Enquanto Perry está em Mumbai, Bloom está em Praga filmando a segunda temporada de Carnival Row. Seus horários estão continuamente os empurrando para o caos, mas eles encontram uma saída. “Sempre será uma situação única, mas sabíamos disso desde o início,” diz ela. “Graças a Deus o Facetime foi inventado . É um salvador de relacionamentos.” E enquanto Perry é devota da meditação transcendental, Bloom é um budista que começa o dia às 6 da manhã cantando o mantra Nam Myoho Renge Kyo. “Eu acho que é uma maneira incrível de começar o seu dia: pensando em algo que não seja você,” diz ela. Ela também está incorporando pequenas mudanças em sua rotina. “Eu começo meu dia com gratidão. Todas as manhãs, a primeira coisa que faço é não mexer no meu telefone. Às vezes consigo evitar por um minuto, às vezes cinco, mas tento conscientemente começar o dia agradecendo.”

Uma mente linda

Ela está em um bom lugar agora então existe uma razão para ser grata. Mas 2017/18 foram seus dias mais difíceis. “Eu fiquei depressiva a ponto de não querer sair da cama. No passado, eu poderia superar isso, mas dessa vez algo aconteceu que me fez cair muitos degraus da escada. Eu tive que ir em uma verdadeira jornada de saúde mental.”

Viver no super mundo das celebridades atualmente traz desafios e vulnerabilidades, mas Perry aparece como uma defensora da saúde mental. “Nós estamos sempre falando sobre nossos órgãos mas nunca falamos do nosso cérebro, que faz todo resto funcionar.”

Destemida em falar como Perry, a mídia tem sido difícil de perdoar. “Para a mídia, de meses em meses eu sou ‘Perry a piñata’. Mas, felizmente, não preciso da validação deles mais,” diz ela.

Ela é constantemente mal compreendida; está cercada de controversas acusações de apropriação cultural, sua aparição no Sesame Street foi considerada “muito sexy” para o programa.

Nem todo mundo entende ela, mas ainda assim ela continua a usar sua voz por baixo de um cabelo curto (a cor verdadeira é “castanho esquilo” ela diz) para representar muitas coisas para muitas pessoas – um modelo para as crianças, um ícone feminista para as mulheres e um defensora da comunidade LGBTQI+.

Às vezes ela usa sua plataforma para falar sobre mudanças políticas. Durante a eleição presidencial de 2016 nos EUA, Perry se posicionou como a maior torcedora de Hillary Clinton e escreveu ‘Chained To The Rhythm’ como uma chamada aos americanos para lutar o bom combate. No Grammy de 2017, quando ela apresentou a música ela usou um terno branco acompanhado de uma braçadeira com a palavra ‘Persist’. “Se você tem uma grande plataforma e usa isso para o bem, vai ser o melhor para todo mundo,” diz a popstar com propósito, que é embaixadora da boa vontade da UNICEF e fez viagens humanitárias para o Vietnã e Madagascar para ajudar as crianças com edução, água limpa e outros recursos. “Aos 35 anos, eu já completei várias coisas da minha lista e agora estou sendo desafiada a sonhar novos sonhos,” diz ela. “Eu quero me envolver com entidades ambientais, eu quero estudar novamente (psicologia e filosofia seriam as áreas escolhidas por ela) e eu quero influenciar boas pessoas a concorrerem em cargos políticos.”

Ela ainda não compartilhou detalhes do seu casamento, mas ela quer uma grande família e sonha em se aposentar em uma grande comunidade com sua família e amigos. Talvez ela não tenha encontrado a cura para tudo mas finalmente ela entende o significado de sua tatuagem – go with the flow. “Eu estive nos olhos do público por 12 anos e cometi muitos erros. Eu sou humana e continuo tentando. Eu não quero me sentir derrotada ou reclusa. Eu quero viver a vida. E fazer isso significa que às vezes você erra, mas não é sobre como você cai e sim sobre como você se levanta.”

A entrevista completa de Katy para a Vogue India será disponibilizada com o lançamento da revista no dia 06 de janeiro.

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